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PIS/COFINS

Alíquota zero se decide item a item

O enquadramento não pertence ao setor nem à empresa. Pertence a cada produto.
78 milhões de receita: acima disso, lucro real obrigatório

O artigo 3º da Lei 12.973/2014 fixou em R$ 78 milhões de receita total no ano anterior a fronteira a partir da qual o lucro real deixa de ser escolha e passa a ser obrigação. É um número que separa dois mundos. Do lado de cá, a apuração é presumida e o cadastro fiscal importa pouco. Do lado de lá, PIS e COFINS passam a ser não cumulativos, o crédito de insumo entra em cena, e cada linha do cadastro de produtos vira uma decisão tributária — multiplicada por milhares de itens e por todos os meses do ano.

O ponto que quase ninguém trata com o cuidado devido é que o enquadramento não pertence ao setor, nem à empresa, nem à tradição da casa: pertence a cada produto, pela sua classificação fiscal, pela descrição e pela natureza da operação. Dois concorrentes do mesmo ramo, vendendo mercadorias equivalentes, podem carregar cargas diferentes por uma década inteira apenas porque, num certo ano, alguém escolheu um código e o sistema passou a copiá-lo. O erro raramente é grosseiro — é de nuance. E nuance, repetida por sessenta meses, tem o tamanho do orçamento anual de investimento.

O critério de crédito também mudou de eixo. O que autoriza o crédito de insumo não é a etiqueta contábil, e sim a essencialidade e a relevância do item para a atividade — um teste de realidade, não de nomenclatura. Isso desloca a discussão da planilha para o chão de fábrica: o que de fato entra no processo, o que é imprescindível, o que se tornaria inviável sem aquele item. É um trabalho que exige alguém que saiba ler tanto a norma quanto a operação — e a raridade dessa combinação explica boa parte do que fica para trás.

O teste, para fazer nesta semana: peça o percentual das compras do último mês que gerou crédito e o critério usado para decidir. Duas informações, uma frase cada. Se a resposta vier como um número redondo e um 'é o que sempre se fez', você encontrou a nuance — ela costuma morar exatamente aí. E há um bônus honesto nesse trabalho: o mesmo levantamento que recupera o passado é o cadastro que a empresa vai precisar para nascer certa no sistema novo. Feito uma vez, serve duas.

O que fazemos com isso

Diagnóstico com escopo, prazo e preço definidos; toda tese classificada por risco, por escrito, antes de qualquer decisão sua. A execução segue pela via administrativa, com memória de cálculo e trilha de auditoria — e a remuneração incide sobre benefício realizado.

Para aprofundar

Fontes oficiais, no ponto exato — o artigo de lei, o serviço ou a consulta que você pode usar hoje. Nenhuma substitui a análise do caso concreto, que é o nosso trabalho.

O que se verifica

  • Alíquota zero e monofásicos, produto a produto, por classificação fiscal
  • Crédito de insumo pelo critério de essencialidade e relevância
  • Cadastro de produtos revisto e documentado, item a item
  • Retificação das obrigações acessórias com memória de cálculo
  • O mesmo cadastro preparado para CBS e IBS
Como lemos uma tese
Pacificada
Entendimento consolidado e rito conhecido. Executa-se pela via administrativa, com memória de cálculo.
Provável
Há fundamento e precedente, mas ainda há divergência. Entra com o grau declarado — e a decisão é do cliente.
Especulativa
Tese frágil ou de risco desproporcional. Não entra. Recusar é parte do serviço, não falta dele.

Nenhuma tese avança sem a sua classificação escrita ao lado. É o que separa um levantamento de uma promessa.

Nuance, repetida por sessenta meses, tem o tamanho de um orçamento.

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